19.12.09

Um balanço

Se há coisa com que eu fico passada é com injustiças. E a Universidade é um mundo delas. Irrita-me saber que há pessoas piores que eu que tiram melhores notas. Irritam-me os professores que não aguentam que existam alunos que saibam mais que eles, irrita-me que haja pessoas que não estudam, que não vão às aulas e que tiram boas notas (ainda não percebi como). Não gosto dos professores que em vez de se preocuparem em saber se estão a ensinar bem, apenas querem fazer-nos sentir burros e dizer-nos com todas as letras que nunca vamos ser iguais ou melhores que eles. Não consigo entender como é que isto se passa nos dias de hoje e mesmo que seja apresentada uma queixa, significa que não vamos mais fazer mais a cadeira. Não consigo, de facto, entender nada do que se passa. Apetece-me cada vez mais viver num mundo à parte, não ter que lidar com ninguém e fechar os olhos a tudo. Provavelmente, se fosse uma dessas pessoas que não se importa com nada, neste momento estaria com um sorriso nos lábios. Quando eu falo de «pessoas melhores que eu» significa pessoas que têm menos capacidades e, não me digam que estou a ser superior ao dizer isto porque todos nós temos noção de quem é melhor ou pior que nós. Aliás são esses limites que trazemos na vida e que nos fazem pedalar mais pelo que queremos e, é a partir também desses limites, que estabelecemos metas para nós. E isso é um problema eterno, compararmo-nos aos outros, compararem-nos a nós e sermos constantemente comparados pelos outros. Não gosto de trabalhar para chegar ao fim do meu caminho e constatar que foi um esforço em vão, afinal quem gosta? Não gosto que haja gente que não saiba qual é o seu lugar e que não consiga reconhecer que não tem a melhor postura. Basicamente, todo este semestre rondou acerca disso. Pude confirmar que afinal a confiança que se dá às pessoas tem de ser seriamente pensada, pude constatar que «quando se dá uma mão, querem logo o braço todo» e, tive de refazer a minha forma de ser amiga de alguém. «Acho estranho que isso esteja a acontecer contigo, sempre te admirei por saberes tão bem o que dar às pessoas e fazeres crer ao outros o que podem esperar de ti.» - foi uma das frases que mais ouvi. Mas realmente, aprendi com os erros e, ao tentar solucioná-los, tive de refazer a minha forma de pensar e agir de maneira a estabelecer metas na relação que os outros têm comigo. Este semestre (a partir do momento em que entramos para a Universidade a nossa vida começa a ser contabilizada por semestres), toda a minha aprendizagem rondou à volta da relação com os outros. Consegui perceber que as pessoas que me conhecem realmente bem, são aquelas que se mantêm na minha vida já fazem parte dela há bastante tempo e, que todas as outras que entraram por curto ou médio prazo, rapidamente vão desaparecer e não sabem nem metade do que sou. Quero ser mais e melhor e isso vai-se estender em todos os anos da minha vida. Quero acreditar que tudo isto tinha de acontecer para me mostrar a mim própria que afinal não tenho assim tanto controle sobre as coisas. É muito complicado quando tentamos subir até ao cimo da montanha e temos alguém, constantemente, a empurrar-nos para baixo porém, o próximo ano vai ser diferente para mim, quero-me esforçar mais para que no fim os resultados sejam melhores. Este texto começou por ser um desabafo em relação a temas escolares mas estendeu-se a muitos outros desabafos que eu queria fazer e nunca tinha conseguido. Há muito tempo que ia acumulando isto, hoje tinha de sair.

3 comentários:

Filipa disse...

Como te compreendo... É a única coisa que consigo dizer-te...

E uma outra, já me questionei muitas vezes se a Universidade também não servirá para nos mostrar que os amigos que temos "na terrinha" é que são os verdadeiros, os de sempre e para sempre...

J. disse...

Agora é que disseste uma grande verdade.

patrícia disse...

um grand senhor disse-me uma vez que "amigos a serio fazemos ate aos 14, 15 anos". nao se enganou, e eu ri-me dele na altura. hoje dou valor. mas tambem e' verdade que apos alguns semestres, depois de ter separado o trigo do joio, encontrei um grupo especial de pessoas com quem passo os meus dias na universidade, com quem partilho desabafos e aprendo licoes importantes. aparte disto, nao poderia compreender mais tudo o resto que escreveste. comeco a pensar que sou eu que me preocupo demasiado com tudo.